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sábado, 30 de julho de 2016

Mulheres que fazem acontecer - Re Solidário

Olá!

Gostaria de dedicar um espaço deste blog para falar de mulheres que fazem acontecer. Mulheres que mudam a realidade onde vivem, seja em casa, na comunidade, na cidade etc. Vou trazer sempre histórias de mulheres que fazem acontecer e nos inspiram.

O case de hoje é da Jaqueline Soares Lopes. É possível que você nunca tenha ouvido falar na Jaqueline, mas ela é uma mulher como você e eu, estudante de moda, jovem. O que tem de especial da Jaqueline? Bom, pra começar ela foi moradora de rua. A história de superação da Jaqueline começou quando ela foi adotada pela família da irmã gêmea e saiu das ruas. Mas ela não esqueceu do passado difícil e pensou em uma forma de utilizar o seu conhecimento de moda para o bem.

Fonte: G1

A Jaqueline criou um projeto para o seu TCC chamado Re Solidário. Re de [RE]utilize, [RE]ame, [RE]comece. o Re Solidário é uma loja a céu aberto que funciona em vários pontos da cidade de Florianópolis que, com a ajuda de voluntários, doa roupas para os sem-teto da cidade. Ela criou uma moeda fantasia que dá direito a "R$50,00" em compras para que os moradores de rua possam comprar na lojinha. Claro que o dinheiro é fictício, mas serve para limitar o número de peças que as pessoas podem levar, garantindo que todos possam ter acesso às peças de forma justa.

São mais de 2.500 peças de roupas divididas pelos segmentos feminino, masculino e infantil. Caso você tenha gostado do exemplo da Jaqueline e queira conhecer melhor o projeto, pode conferir o vídeo abaixo. Bjs e até o próximo post!


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Compradora compulsiva

Olá!

Você já ouviu falar em oniomania? A palavra pode parecer meio estranha, mas está presente na vida de muitas pessoas. Você já deve ter conhecido alguém que compra compulsivamente, que não consegue sair de casa sem voltar com uma sacolinha. Você pode conhecer alguma amiga que até esconde as sacolas de compras para os familiares não verem. Conhece? Bem, a questão é que o que parece uma futilidade pode ser na verdade uma psicopatologia.


A oniomania é uma compulsão e infelizmente a maioria das pessoas atingidas por essa doença é mulher. Não tenho a fonte dos dados, mas especula-se que 90 a 95% das pessoas que tem compulsão por compras sejam mulheres. É possível que o fator cultural seja o que mais influencia esse fato, já que biologicamente não há nada que explique isso. Sim, a oniomania é uma doença que impede a nossa independência financeira e chega mesmo a comprometer a vida pessoal, relacionamentos, saúde financeira e muito mais.

Como boa parte das psicopatologias, ela é marcada pelo preconceito ou pela ignorância das pessoas que não sabem como lidar com a situação. Se você sofre dessa doença, como de qualquer outra psicopatologia, já deve ter ouvido algum conselho do tipo "mudar isso só depende de você!" ou "você deveria se esforçar mais para melhorar disso!". 

Pois é, a questão é que se você conhece uma pessoa com uma cardiopatia ou outra doença, você não diz pra ela se levantar e fazer algo para mudar, não fica incentivando ela a ter "coragem" de mudar sua condição atual, não é? Uma pessoa com a perna quebrada, que fica deitada numa cama o dia todo não está lá porque gosta. Acho que dizer "levante-se daí e mude sua vida!" não vai ajudá-la muito.

Os delírios de consumo de Becky Bloom

Essa é a questão. A oniomania deve ser tratada, é preciso compreender que muitos sentimentos estão relacionados à compulsão por compras. A pessoa, que pode estar deprimida ou insegura, sai de casa para se distrair ou fazer suas atividades de rotina e (vulnerável) acaba comprando algo que muitas vezes nem precisa. A sensação de prazer momentânea é viciante, a pessoa sente um prazer que não consegue experimentar em outras situações do dia a dia. O problema é que logo essa sensação passa e ela precisa comprar novamente para ter aquela sensação de novo. 

Muitas pessoas chegam a ter dívidas altas, fazer empréstimos para cobrir as dívidas e tudo vira uma bola de neve. A doença pode fazer com que a pessoa perca todos os seus bens materiais, emprego, compromete casamentos e relacionamentos de uma forma geral. A oniomania não tem cura, mas é possível uma melhora dos sintomas. Para isso, é preciso encarar a compulsão com seriedade, sem preconceitos e procurar ajuda especializada. É recomendável que a família de uma pessoa que sofre com a oniomania também procure suporte.


terça-feira, 12 de julho de 2016

Finanças para mulheres

Falamos em postagens anteriores sobre as armadilhas na hora das compras e como nosso consumo é influenciado por fatores emocionais em vez de se basearem em decisões racionais. A questão que eu gostaria de trazer hoje, após as postagens sobre consumo consciente, é a consciência de uma educação financeira.



Bem, eu não sou economista, sou psicóloga. Também estou longe de ser exemplo de qualquer coisa. O que tento fazer aqui é compartilhar algumas das minhas experiências pessoais para que vocês consigam pensar nas suas próprias questões.

Uma questão que sempre me chamou a atenção foi a independência financeira. Comecei a trabalhar muito cedo e achava estranho as pessoas dizerem que quanto mais trabalhavam, menos dinheiro tinham. Oi?! 

Parecia absurdo eu ver as pessoas trabalhando tanto e não serem ricas. Foi aí que eu, ainda adolescente, comecei a tentar entender de finanças. Se você, mulher, nunca parou para pensar no assunto, é bom se ligar nisso. A independência financeira é de extrema importância no nosso processo de empoderamento. (Vou falar em postagens posteriores sobre como a população feminina é economicamente ativa e como nossa contribuição para a economia brasileira cresceu nos últimos 60 anos, mas é estranho que ainda soframos tanto para ter a nossa tão sonhada independência financeira).


Desde muito cedo percebi que as pessoas tinham uma relação de sofrimento com o dinheiro. É, de sofrimento mesmo! Sofriam para ganhar e sofriam na hora de gastar. O resultado é que sempre estavam insatisfeitas com o quanto ganhavam e nunca estavam satisfeitas com o que tinham comprado, sempre queriam mais. Então comecei a "produzir". Comecei minha vida profissional dando aulas para adultos (alfabetização de adultos) no interior de Pernambuco, ajudando minha mãe a dar aulas nos fundos de casa. Eu devia ter uns 12 anos de idade.

Era uma atividade voluntária e as pessoas pagavam se pudessem, o quanto pudessem. Alguns davam 10 reais por mês, quem não podia dar nada às vezes se sentia agradecido e mesmo assim queria pagar com uma gentileza (já me pagaram com um bolo! rs). A questão é que comecei a ganhar um dinheirinho com uma atividade que eu gostava de fazer: ajudar as pessoas a serem independentes.

Lembro de ter conseguido juntar 60 reais (tudo isso!) e fiquei sem saber o que fazer com tanto dinheiro (lembrem que eu era praticamente uma criança, aquilo pra mim era uma fortuna! rs). Pensando em como as pessoas sofriam para ganhar dinheiro, achei melhor guardar, poupar. Foi a minha primeira iniciativa de me educar financeiramente.

Não preciso dizer como essa atitude tão precoce foi importante para meu crescimento como pessoa, como mulher, como profissional. Fui crescendo e percebendo que quanto mais eu ganhava, mais eu gastava. Por mais que eu poupasse, aquela poupança não tinha um objetivo, eu não pretendia nada com aquilo, não tinha planos para aquele dinheiro (que nem era tanto assim) e eu acabava gastando no final do ano comprando presentes ou bobagens. A questão é:

1 - Poupe dinheiro com um objetivo!

Poupar não deve ser só um hábito, mas deve ter um objetivo. Aprendi que quando eu tinha um objetivo (por exemplo, minha primeira grande compra foi uma televisão que eu queria muito e paguei à vista com o salário do meu primeiro emprego de carteira assinada), eu conseguia poupar de forma mais consciente, sabendo que aquele dinheiro teria um uso e me beneficiaria posteriormente. Eu tinha sempre uma meta na hora de poupar.

Acredito que a segunda coisa a ser levada em consideração é o tempo. Investimentos são definidos como de curto, médio e longo prazo. Então

2 - Estabeleça um prazo para alcançar a sua meta!

Como eu era muito jovem, minhas primeiras aspirações foram bens materiais que pudessem me trazer conforto, mas eu também sempre gostei muito de viajar, então meu dinheiro sempre era poupado para comprar algo ou pagar uma viagem ou curso de curta duração. Neste caso, meus investimentos eram de curto prazo. O que deve definir o tempo que você vai investir é a sua meta. É provável que você tenha que fazer um investimento de médio prazo para conseguir comprar um carro, por exemplo.

Se você aceitar mais uma dica aqui sobre como investir ou poupar seu dinheiro, eu diria que o ideal seria você 

3 - Poupar sempre!

Como eu disse no item 1, isso deve ser um hábito. Os especialistas em finanças dizem que 30% do seu ganho mensal deve ser poupado. Não sei se todas tem condições de investir/poupar 30% do que ganham, mas acredito que sempre é possível poupar alguma coisa e o hábito de poupar sempre faz com que possamos ter uma relação mais saudável com o dinheiro. Começar com pouco já é um começo. Aos poucos, criando o hábito de poupar, você conseguirá estabelecer suas metas e prazos realistas para alcanças suas metas financeiras.

Espero que gostem desse tema tanto quanto eu. É um tema que julgo muito importante e espero que possamos falar em breve sobre isso novamente. Até lá!




sábado, 9 de julho de 2016

Consumo consciente - armadilhas #2

Falei na postagem anterior sobre algumas armadilhas nas quais podemos cair na hora de fazer compras. As empresas utilizam nossas emoções, nosso valores, podem nos causar constrangimento e influenciar nosso comportamento para que compremos um determinado produto.

Uma pena, mas se você quer consumir de forma consciente e menos influenciada por fatores externos, talvez você se interesse pelo que vou falar a seguir.

As armadilhas nas quais podemos cair são muitas. Uma delas é a da exclusividade.

A exclusividade é um dos principais fatores que podem influenciar na hora da sua compra. A exclusividade dá a ideia de status a quem compra e se você é uma pessoa que consome em busca de status ou da satisfação que essa compra exclusiva poderá trazer, é provável que já tenha caído nesta armadilha ao menos uma vez.



Entenda bem, não é que a exclusividade seja algo ruim. Na maioria das vezes, as marcas produzem itens com exclusividade porque são itens voltados a um público diferenciado, que não consome em massa ou porque o item pode ter valor bastante elevado de produção, não sendo possível produzi-lo em grandes quantidades. Também é possível que o produto seja feito com a utilização de trabalhadores especializados, com alto valor agregado ou mesmo que a matéria-prima não seja encontrada facilmente. 

A questão é que a exclusividade pode despertar o desejo de muitas pessoas que queiram ter essa sensação de não precisar compartilhar, de ser único. É, na maioria das vezes, é mais uma fantasia que temos na hora do consumo.

Outra artimanha utilizada para influenciar a compra é a escassez. Quantas vezes você não ouviu "este é o último da loja" ou "são os últimos dias de promoção, não perca!"?. Dizem até que algumas empresas utilizam a estratégia de deixar faltar momentaneamente um item que está vendendo bastante para que o consumidor tenha a sensação que deve comprá-lo na primeira oportunidade que tiver.

É possível que você sinta-se mais influenciada(o) a comprar um produto que está quase acabando na prateleira do supermercado. O que ocorre é que a escassez dá a sensação de ânsia, o consumidor sente que não deve perder a oportunidade de compra. Quando você encontra um item na prateleira e ele está quase acabando isto pode ser um indicador de que o produto é realmente bom/desejado, senão não estaria vendendo tão bem. Melhor aproveitar e comprar logo, não é?

Não! Em breve vamos falar um pouco sobre o consumo consciente (consciente em vários sentidos) e como evitar comprar por impulso.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Consumo consciente - armadilhas #1

É provável que você já tenha consumido por impulso, por ânsia. Na psicologia, dizemos que o consumo de uma pessoa está intimamente relacionado aos seus anseios. E se por um minuto você pudesse imaginar que seus anseios não são necessariamente seus?

Calma! Eu posso explicar :)

Todos os dias somos bombardeados por revistas de moda e programas de tv com propagandas de produtos maravilhosos (sim, maravilhosos!), mas que nem sempre precisamos. Até aí, tudo bem. Depois você descobre que aquele produto faz parte de um estilo de vida que você talvez nem possa ter, mas que é bastante atraente. De repente, você também descobre que pessoas que parecem muito interessantes possuem e utilizam aquele produto, falam sobre ele. 

Foi disparado o gatilho mental e você nem percebeu. A indústria que dita o que nós devemos consumir consegue fazer com que tenhamos uma espécie de relação emocional com os produtos ou marcas. Por exemplo: digamos que você tenha um filho e, obviamente, deseja o melhor para ele. Se uma empresa oferece uma marca de fraldas que diz ser confortável e de confiança por estar há muitos anos no mercado, mas o produto é um pouco mais caro do que outras marcas que não passam tanta confiança assim, o que você prefere? Pagar mais caro em um produto dito de "maior qualidade" ou "de confiança" ou testar um produto novo, mais barato e arriscar?

A questão é que poucos consumidores estão dispostos a arriscar. Correr riscos, principalmente no que se refere a dinheiro, não é algo que as pessoas normalmente façam com facilidade. Quando uma marca consegue associar aos seus produtos valores como qualidade e confiança, por exemplo, é mais provável que você pague mais caro no produto, mesmo sabendo que há outros de mesma natureza na prateleira ao lado. Você praticamente não escolhe, alguém já escolheu para você.

É aí que ocorre uma compra que muitas vezes não é consciente. Consumimos o que achamos que é melhor, e não necessariamente aquilo que de fato precisamos.

Outra forma de incentivar o consumo e que é muito utilizada pelas lojas é a famosa promoção ou liquidação. Já me aconteceu uma vez de comprar seis pares de sapatos numa mesma loja e tudo o que eu estava procurando era uma sapatilha preta, simples, que nem era tão urgente assim. 

É, eu cometi uma loucura, comprei por impulso e acabei levando muito mais do que o que precisava. A loja prometia descontos cada vez maiores para quem comprasse mais pares de sapatos. A armadilha estava no fato de que quando eu já tinha entrado na loja, já tinha provado o sapato e já estava decidida a comprar, o vendedor informou que o desconto só se aplicava no segundo par de sapatos. 

Esse tipo de situação conta também com o fator constrangimento. Isso mesmo, constrangimento! Inconscientemente o consumidor se vê constrangido de não poder levar o produto que queria, principalmente depois de já ter provado e decido comprar. Nesta situação eu pensei: "ok, vou levar mais um par e pegar o desconto". 

Depois o vendedor informou que o desconto era bom para o caso de eu levar dois pares de sapatos, mas não era tão atraente quanto o desconto que eu ganharia se levasse três pares! Daí já viu, gastei mais do que deveria. Neste momento, o foco da minha compra já nem era mais a tal sapatilha simples que eu queria. 

Essa é uma outra armadilha que o consumidor pode cair no momento de fazer compras. Você já pensou em quantas vezes passou por situações similares?

Espero que consiga pensar um pouco sobre consumo e sobre as armadilhas nas quais já pode ter caído na hora de uma compra. Em breve devo escrever novo post sobre as armadilhas nas quais acabamos caindo na hora de consumir. Até lá!